O mês de abril marcou o crescimento da pandemia do novo coronavírus entre povos indígenas no Brasil. As organizações de base da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) registraram a chegada da doença em 29 povos em quatro regiões do país. Com quase uma morte por dia, 28 parentes perderam a vida para a doença no último mês e mais de 120 indígenas foram infectados.

É alarmante a velocidade da entrada do vírus não apenas nas comunidades, mas também nos povos que vivem em contextos urbanos pois, além de sofrerem com o descaso no atendimento, são vítimas do racismo institucional da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), que só atende e registra os casos que ocorrem dentro das aldeias.

A maioria das mortes e contágios por Covid-19 entre indígenas registrados é na Amazônia. Foram atingidos diretamente 20 povos dos estados do Amazonas, Pará, Roraima, Amapá e Rondônia. O descaso do Governo Federal é criminoso, sobretudo no Amazonas, que já está com os sistemas de saúde e funerário colapsados devido a pandemia.

A chegada do vírus na região do Alto Solimões, no Amazonas, foi causada por um médico à serviço da SESAI no dia 19 de março. A falta de medidas do Governo Federal para proteção dos povos fez com que esta tenha sido a região com o maior número de casos de morte e contágio entre indígenas no país durante abril.

O último mês também foi marcado por um forte ataque do governo Bolsonaro aos povos indígenas. No dia 22 de abril a Funai emitiu a Instrução Normativa nº 9 que incentiva a invasão de nossas terras. Um forte ataque que amplia as violências sofridas pelos povos, como foi o assassinato de Ari Uru-eu-wau-wau, em Rondônia no dia 18 de abril. Ele integrava o grupo de vigilantes e protetores do território do seu povo e estava ameaçado pelos criminosos responsáveis por invasões e devastações na região.

Diante deste quadro grave de violências, renovamos nossas estratégias de luta e ocupamos as redes e demarcamos milhões de telas durante a 16ª Edição do Acampamento Terra Livre 2020, que aconteceu este ano online entre os dias 27 e 30 de abril.

Maio iniciou e os casos seguem crescendo. De acordo com pesquisadores, o pico de contágios da Covid-19 será neste mês. Precisamos estar preparados e, por isso, realizaremos a Assembléia Nacional de Resistência Indígena nos dias 8 e 9 de maio, nas redes da @apiboficial para fortalecermos nossas estratégias de luta.